Dia #4 – Medicina minimalista

Taolin

Tao Lin é uma cidade que fica a cerca de uma hora de Pequim, fica perto da montanha longe da poluição da cidade. Aqui encontra-se um local que penso ter condições únicas no mundo para o estudo do Zhan Zhuang Chi Kung.

Zhan Zhuang Chi Kung pode ser traduzida de forma literal como manter-de de pé como uma estaca. Por questões orgânicas e terapêuticas traduz-se como manter-se de pé como uma árvore. Faz parte de uma classe de práticas terapêuticas chinesas – Yang Sheng – Práticas de Nutrição da Vitalidade/Longevidade.

Estar de pé como uma árvore pode ser praticado desde um minuto ao tempo que o praticante desejar – utilizando uma das várias posturas possíveis. Existem posturas, de pé sentadas e deitadas. Ao todo podemos ir até pelo menos às 200 variantes.

Em Tao Lin o treino começa às 8h – depois do pequeno almoço – com 70 minutos de prática de postura da árvore. Seguem-se os exercícios de movimento de integrado ou shili (试力) durante 50 minutos. Estes exercícios auxiliam a criar a ponte entre o movimento e a quietude. Pratica-se até às 10h, altura em que existe um intervalo de 30 minutos. A manhã termina às 11:30 com mais 60 minutos de movimento integrado ou passos. Sempre com pontualidade suíça – apesar de estarmos na China.

À tarde repete-se o programa – a partir das 14:30 até às 17:30. E todos os dias é assim – 7 dias por semana, 365 dias por ano. Quer faça chuva ou sol.

Embora a minha busca seja terapêutica a minha primeira idéia depois de ter visto o trailer e o documentário da Imagine Arts era que aqui encontrava-se a nata dos guerreiros Chineses – que baseiam a sua técnica marcial na quietude. Fiquei agradavelmente surpreendido por encontrar aqui para além dessa nata de guerreiros também famílias inteiras – algumas que viajaram de partes remotas da China. Vêm para praticar com o intuito terapêutico – pela quietude regeneradora das posturas do Zhan Zhuang Chi Kung.

Durante esta semana pude tomar contacto com alguém que está a recuperar de um AVC, com uma adolescente com paralisia cerebral, com crianças a partir dos 4 anos que ficam em quietude contemplativa durante 70 minutos. Ontem era-mos mais de 40, no pátio de prática, com uma temperatura húmida acima dos 30°C e as moscas e mosquitos a desafiar o mais paciente dos  Chineses.

Aqui partilha-se a paixão e respeito pela quietude integrada no dia a dia. Regenerar aqui significa dar espaço e tempo para que gradualmente a quietude se instale e recupere corpo e mente – sem adição de mais nada a não ser o reconhecimento deste estado contemplativo que “vem de origem” em todos os seres humanos.

Este é o minimalismo terapeutico na sua excelência, nada mais é adicionado ao que já existe. Cada um é responsável pela sua educação e autorização em relação ao seu estado de saúde e quem ensina é apenas o veículo para que isso seja possível.

Não acredito que esta seja a medicina do futuro; esta prática é já referida num dos livros mais antigos do mundo – senão o mais antigo – o I Ching no hexagrama 52. Se é o futuro ou não tem a ver com as escolhas que cada um de nós individualmente pode realizar no presente. Sem esperar que surja uma moda, que alguma instituição ou federação a aprove, ou que seja prescrita por algum médico ou terapeuta.

A Quietude está sempre à sua disposição – aqui e agora – basta ter a coragem de dar o passo no sentido de a reclamar – como um bem de primeira necessidade que é para a sua saúde física e mental.

Boas práticas.

Dia #12 - Depois da Chuva em Pequim
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