Qual é afinal o perfil do praticante de Chi Kung?

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“Só quando realizamos algo de forma apaixonada temos a persistência necessária para enfrentar as dificuldades” – Steve Jobs

Ensino Chi Kung desde 1998 e durante este período de tempo – e comigo – já centenas de alunos tomaram contacto com esta arte.

Ás vezes em aulas, outras em seminários ou demonstrações, outras por breves momentos em consultas quando lhes prescrevo um exercício para uma condição específica.

No entanto, a pergunta que faço a mim mesmo é o que faz alguém depois de uma primeira aula de Chi Kung voltar a segunda vez?

E depois, o que a faz ficar?

O que faz um aluno dedicar 10 anos da sua vida a esta prática enquanto para outros a experiência de uma aula é suficiente?

Alguns factores podem estar relacionados com a empatia com que o sistema que ensino tem para oferecer.

A quietude pode ser para alguns algo que depois de descoberto se transforma em algo precioso.

Mas acredito que é muito mais que isso.

Existem cinco factores que encontro em todos os alunos que estudam comigo há pelo menos mais de um ano letivo.

Em alguns consigo observar apenas um em outros todos os cinco.

  • Praticam por motivos de saúde. Iniciaram a prática do Chi Kung devido a uma condição crónica e encontram nesta prática uma forma de compreenderem e regularem melhor os fatores que lhes provocam desconforto. Essas questões variam: sistema imune, dores articulares, questões posturais, ansiedade, agitação, dificuldade em adormecer ou relaxar, falta de equilíbrio físico e emocional e sintomas que não têm qualquer classificação clínica mas incomodam e reduzem consideravelmente a qualidade de vida. Não importa se existem questões mais desafiantes que outras, mas sim na vontade de cada um poder decidir fazer algo para transformar esta situação e comprometerem-se consigo mesmos nesse sentido.
  • São alunos curiosos. Para além das aulas procuram informação e perguntam sobre a prática. Essa é uma forma de criar estímulo para o seu treino. Na minha experiência pessoal de viver a milhares de km do meu professor, a curiosidade de procurar mais e investigar, é para mim essencial para manter a prática viva. Tal como na vida, um dos fatores de longevidade está associado a esta curiosidade de questionar e de querer saber mais.
  • Não têm medo de errar. Criar autonomia na prática requer aprender a viver com o erro. Acordar 30 minutos mais cedo de manhã para treinar, quando ainda está escuro sem ter muito bem a noção se os exercícios que foram ontem aprendidos na aula estão corretos necessita de muita coragem. De alguma forma esses alunos sabem que praticar nestas condições levanta dúvidas, mas acreditam que pelo investimento nessa dúvida encontram a forma mais adequada da realizar o exercício. Esta característica mede também a capacidade que cada um tem de saltar para o desconhecido e de abraçar a incerteza no próximo passo.
  • Mentalidade de criança. A mentalidade de criança está focada no processo, no agora, em vez de estar focada no objetivo e na finalização. Uma criança é capaz de brincar horas ou dias a fio com o mesmo brinquedo. Cria novas histórias e novas situações que lhe permitem usufruir do momento. Com o Chi Kung não é a quantidade de exercícios que é importante saber, é a forma como os exploramos e criamos ligações que nos permitem encontrar a novidade em cada dia prática.
  • Sabem utilizar o tempo. Saber utilizar o tempo requer praticar em situações menos comuns. Ou tornar uma situação menos comum numa situação de prática. Saber utilizar o tempo permite treinar de forma informal em períodos de espera. Estes alunas e alunos descobrem as possibilidades de praticar quer seja sentados, de pé ou mesmo deitados. Requer tomar decisões entre mais 15 minutos em redes sociais ou de navegação e cliques dispersos a 15 minutos de treino efectivo. E isso é um indicador da importância que cada um dá a si mesmo.

Estou certo que outros professores apontarão outros fatores que consideram importantes segundo as suas experiências e se os existe faço-vos o convite para que o partilhem comigo.

Assim como os praticantes, quais os motivos que vos fazem apaixonar por esta prática? Sentem-se identificados com este artigo?

Uma boa semana de práticas e investigações inspiradoras para todos.

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