A Rendição Silenciosa

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É comum surgir de quando em vez, um filme em que os humanos lutam contra uma possível revolta e invasão das máquinas. Essas máquinas invadem, oprimem e escravizam raça humana.

No entanto, se observarmos essa invasão já começou há algum tempo. Não tem as características que os filmes retratam, nenhuma bala é disparada e não existem casualidades relacionadas directamente com esta invasão.

Não é um acontecimento grandioso e é mais um movimento gradual, não de invasão das máquinas mas de rendição, desautorização e esquecimento pacífico das capacidades que como seres humanos temos em nós.

Quando confiamos na lista de contactos do telefone móvel como uma memória acessória, que pode levar ao esquecimento até do próprio número de telefone, escolhemos deixar de utilizar a nossa capacidade de memorização.

Quando deixamos que uma máquina faça cálculos por nós, não me refiro a cálculos complicados mas às quatro operações básicas, escolhemos deixar de confiar na nossa capacidade lógica.

Quando decidimos deixar que uma máquina nos guie para chegar ao nosso destino, escolhemos esquecer a capacidade de orientação natural que dispomos.

Quando deixamos que um computador de bordo nos auxilie a estacionar o automóvel e nos diga a proximidade do carro da frente, escolhemos esquecer a nossa capacidade de percepção de onde estamos. e para onde vamos.

Quando deixamos que um robot cozinhe para nós, esquecemos que somos os responsáveis pela preparação do nosso próprio alimento e da influência que isso pode ter quando queremos criar autonomia em direcção ao nosso Sonho.

Quando deixamos de utilizar papel e caneta, ou achamos que as escolas em que se utilizam mais tablets e tecnologia são as melhores e as mais adequadas para os nossos filhos, esquecemos que a mão tem também outros movimentos importantes para além do teclar e deslizar os dedos no écran. Estamos a limitar as gerações seguintes a pensar assim também.

Quando escolhemos uma rede social, como tipo de interacção preferível a uma interacção humana e em que a nossa “second life” é preferível à que possuímos, estamos a esquecer que temos pele e a pele precisa de ser tocada, estimulada e que essa interacção é das mais nutritivas que pode ser dada ao ser humano – o toque e o sentimento de si pelo contacto com o outro.

Quando deixamos que uma máquina nos diga que temos de correr mais – que o tempo que estamos a realizar hoje é inferior ao tempo de corrida que fizemos ontem, esquecemos que temos a capacidade de encontrar o nosso próprio ritmo para o aqui e para o agora.

Quando deixamos que uma máquina nos aconselhe mediante a medição dos nossos passos, calorias, tempo de actividade e repouso, ritmo cardíaco e outro sinais vitais, escolhemos esquecer a nossa intuição sobre os factores que efectivamente podem contribuir para nossa felicidade e bem estar.

Quando como terapeutas confiamos numa máquina para fazer diagnóstico ao nossos pacientes e encontrar os pontos de acupunctura mais adequados, escolhemos acreditar que esta avaliação é superior e mais precisa que a nossa.

Quando como pacientes acreditamos que uma máquina, com luzes, gráficos, sons e que no final imprime um relatório a cores pode ser mais eficaz que a avaliação do terapeuta, escolhemos acreditar que a qualidade de um terapeuta  tem a ver com capacidades técnicas de operar uma máquina e não com uma arte terapêutica humana com milhares de anos.

Quando criamos máquinas à mossa imagem e damos aos computadores, telefones ou tablets, nomes simpáticos, orgânicos e humanos, confundimos a nossa natureza com a natureza de algo inorgânico e inanimado, que funciona num registo totalmente diferente do nosso – 0’s e 1’s vs Corpo, Respiração e Mente.

Quando uma máquina adquire um estatuto de elemento da nossa família e é levanda para a mesa, em viagens, como companhia de férias e até mesmo para a cama, estamos a permitir uma invasão e demarcação de terreno destas maquinas em relação aos outros seres humanos que habitam as nossas vidas.

Na nossa condição humana que nos permite escolhas ilimitadas, a questão é se ao adquirir uma máquina que lhe promete

  • independência
  • mobilidade
  • liberdade
  • tempo de qualidade
  • quietude
  • bem estar
  • relacionamentos
  • nutrição

não estará afinal a procurar aspectos humanos que já fazem parte de si e se por isso mesmo não está já a adquirir – e a pagar – por algo que afinal já é seu por direito.

Boas práticas.

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Terminam amanhã dia 30 as condições especiais de inscrição nas aulas de Chi Kung Terapêutico no Instituto Macrobiótico. Para além do foco de criar uma prática regular e consistente, vamos estudar o sistema nervoso e estratégias para o seu fortalecimento, para que seja possível utilizando esta arte milenar transformar e metabolizar o stress e a agitação do dia a dia.  

Embora estas aulas possam ser iniciadas a qualquer altura, estes três meses apresentam-se como um curso onde é fornecido material de estudo para criar uma autonomia pela regularidade da prática do Chi Kung.  Mais informação sobre as aulas de Lisboa e Braga aqui

O Chi Kung e a Ana Galvão
Viver sem Esforço