Sobre as Máquinas

Well sweep

 

Tzu-Kung viajou para sul de Chu, e, regressando pelo estado de Chin, passou pela margem do rio Han. Ai observou um homem corpulento a trabalhar num campo com um hectare de vegetais.

Utilizando uma escada descia para um poço, depois subindo, regava a sua colheita.

Parecia que estava a estafar-se completamente até aos ossos, sem que o seu esforço estivesse a produzir resultados visíveis.

“Existe um mecanismo para isso” – disse Tzu-Kung – “E com isso num dia seria possível inundar cem hectares. Não necessita de muito esforço e tem grandes vantagens. Não gostaria de ter uma?”

O agricultor ergueu-se e olhou-o. “Como é que isso funciona?”

“É uma máquina construída em madeira, pesada numa extremidade e leve na outra. Tira a água do poço em grandes quantidades, tanta que quando sai parece que está a a ferver. Chama-se cegonha. 

O agricultor fez uma cara de desprezo, e depois disse com uma gargalhada: Ouvi o meu professor dizer: “Onde existem máquinas, haverá problemas mecânicos, – onde existem problemas mecânicos, a mecanização encontrará entrada no coração e nas mentes de quem as utiliza. Quando os corações e as mentes se tornam mecânicas, aquilo que é puro e simples deteriora-se. Sem o puro e o simples o espírito não conhece descanso. Quando o espírito não conhece descanso o caminho da natureza [Tao] não pode prosseguir. Não é que eu não conheça a tua máquina, mas sentiria-me envergonhado de utilizar tal coisa.”  

Chuang Tzu, Taoísta, 400 a.C.    

Parar para saborear
A quantidade ideal de copos de água por dia