Conversas sem fim – Mestria

Para quem faz montanhismo há várias máximas que sempre ouvi, como por exemplo: “deve-se começar sempre com frio”; “começa-se apenas com o primeiro passo” ou “começar como um velho para se chegar como um jovem”.

Desde muito nova que gosto de dar massagens, nunca quis ter formação, como o nome indica iria formar-me e retirar espontaneidade, achava eu, no entanto lá me decidi a fazer algumas formações, o conhecimento não ocupa lugar, dizem.

Confesso que me senti algo presa ao treino/prática/protocolo/perspetiva/foco. Compreendo que devo aprender as bases e depois deitar as “regras” fora, criar algo só meu, o que me serve e ter o meu estilo.

Por isto deixei de seguir receitas ou protocolos, cada pessoa é única por isso uma “receita” não servirá a todos, entro em free style seguindo a minha intuição.

Um dos meus mestres disse-me numa ocasião: “eu gosto de ensinar pois quando era miúdo tinha muita dificuldade em aprender”, arranjava sempre formas muito criativas de ensinar e tinha uma paciência infinita com quem demonstrava maiores dificuldades.

Quem de nós não se lembra “daquele” professor até aos dias de hoje, aquele com quem nos identificamos e com o qual nos sentimos crescer, ensinando com a mestria de quem não está focado em ouvir-se a ensinar, apenas quer saber do que cada um consegue fazer com o que lhes ensina. E às vezes até se “fica” melhor que o mestre, o que o tornará bastante feliz.

É a grande diferença entre o professor que acha que as aulas são uma seca, meras repetições, ano após ano, sem entusiasmo vrs aquele mestre entusiasta que se vai deslumbrando expectante com o sentir dos alunos que nunca o (ou)viram e irão fazê-lo pela primeira vez.

Ou como a diferença ente o cinema e o teatro. No cinema o ator tem de repetir a cena até à exaustão, cena 10 claquete 25 e a audiência é sempre a mesma ou seja, toda a equipa de filmagens, o que pode torna-se numa seca. Dizem que o Clint Eastwood, como realizador, faz um ou dois takes precisamente para não perder a genuinidade/espontaneidade dos atores. Enquanto no teatro, apesar de ser ensaiado, o público está a ver e a sentir tudo pela 1ª vez, ali ao vivo e a cores, e isso chega diretamente ao ator, que pode trazer aquele entusiasmo contagiante de principiante.

Ao ver o Lourenço ou a Marta nas suas mestrias poderia ter a vontade de desistir, alturas houve em que me apeteceu mandar tudo às urtigas, como este amigo do filme, se essa vontade chega basta olhar para trás e perceber o quanto do caminho já caminhei caminhando, como no montanhismo. Percebi que os nossos mestres para chegarem à mestria, as tais 10 mil horas, também passaram por processos semelhantes e que um mestre é um eterno aprendiz sentindo-se também ele crescer com os seus discípulos usufruindo de todo o processo.

Ao criar expetativas focando-me apenas na “meta” que pretendo atingir pode não ser a ideia mais útil. O momento ideal, pode não ser o agora para mim, pois estaria em grande esforço. Se for mesmo para não fazer é porque não é altura, ainda tenho livros por ler desde os meus 12 anos, posso deixar de fazer algo sem culpa nem julgamento, perceber também o que não quero ou não me serve, sem autoflagelação, sendo gentil comigo, para quê forçar? Chegará o seu tempo, ou não. Também não é errado desistir e está tudo certo. Não há derrotas, ou se “ganha” ou se aprende algo para a vida.

Tudo e todos fazemos parte de um todo, cada um é único e essencial como se de um relógio se tratasse, sem uma das suas “pequenas” peças deixa de funcionar.

Aceito o que o caminho me dá, tenho a mente aberta para usufruir recebendo tudo o que possa aparecer, não desperdiçando possibilidades, estando em constante aprendizagem e no fluxo, como o Cozinheiro Ting. O Yin e o Yang dos ciclos.

(foto MJL – 2015)

Cheguei à conclusão que os meus caminhos não são lineares, são ciclos de vida, mesmo que as vicissitudes me pareçam desfavoráveis, aprendi a não me frustrar e a usufruir deles como se me apresentam, atenta às suas 10 mil possibilidades – Singing in the rain

– e mais que tudo não me levar muito a sério rindo bastante dos disparates, desventuras e principalmente de mim.

como sempre assino, MJL

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