Conversas sem fim – Eu SOU, então tu ÉS!

(Je suis donc tu es)

Os meus pais sempre me ensinaram, a mim e ao meu irmão, a sermos generosos, pois também o são…

No entanto, havia algumas coisas que me “encanitavam” os nervos, como por exemplo a inveja que a minha avó demonstrou uma vez ao ver uma prenda enorme que o meu primo, com três anos, recebeu, era uma garagem para carrinhos de brincar com dois andares. Foi por volta dessa altura que um tio meu me ofereceu, durante 3 anos seguidos, uns afia lápis em metal com a forma de objetos antigos, uma máquina de costura, de fotografar e de escrever, era a única altura do ano em que estávamos juntos e era a prenda de natal e de aniversário, dizia-me ele. Ora, para uma miúda com cerca 7/8/9 anos, “pespineta” como eu, era inimaginável.

Quanto à minha avó, eu dizia à minha mãe, “para o ano vou à praça compro o maior alguidar que lá encontrar e ofereço à avó para que fique contente e não invejar a prenda do primo apenas por ser grande”, mas nunca o cheguei a fazer, a minha mãe não permitiu.

Quanto ao meu tio, bem… a história foi um pouco diferente, fui à papelaria e comprei o afia lápis mais barato que encontrei, em plástico, verde alface, bem vistoso. Embrulhei-o com todos os cuidados e ofereci-lhe no Natal seguinte. Ao recebê-lo o meu tio ficou engasgado, disse-me “Háh…. achava que podias fazer uma coleção”. No ano seguinte recebi um livro, “Este livro que vos deixo” do António Aleixo, a partir daí deixei de receber qualquer tipo de presentes desse meu tio.

Mais crescida aprendi a lidar com este tipo de situações, como bem-educada que sou, agradecia a quem mos dava e logo de seguida “despachava-os” para quem achava que iria gostar deles. Uma vez dei à minha sogra o presente que a minha tia me tinha dado, ia sendo apanhada, pois a minha mãe disse em voz alta “Mas essa não é a toalha que a tua tia te deu?”. Fiz-me de Lucas que é o que sou, dei-lhe uma cotovelada e esbugalhei-lhe os olhos como aviso ihihihih. Ainda hoje não sei se a sogra percebeu, que gostou do presente, gostou, vi-a a uso muitas vezes na sua casa. Noutra ocasião troquei as prendas das avós, ambas ficaram contentes.

“A cavalo dado nem se olha o dente” ou “Para casa até pedras se trazem” são ditados portugueses que às vezes me prendiam às velhas regras de educação dada pelos meus pais.

No entanto, só saberei o que afeta o outro conhecendo a sua história, calçando os seus sapatos, nunca saberei o que os outros passaram para serem como são, assim, ao receber algo que me desagrade, como na Lei de Lavoisier “Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma” posso usar esse poder que só a mim pertence.

Posso aceitar e não confrontar, pagando na mesma moeda ou dando uma indireta para fazer passar a mensagem e o presente entregue foi recebido. Quer dizer que estou yin por dentro a tentar controlar, com medo das consequências e continuarei a atrair algo, se calhar cada vez maior, deixando-me controlar pelas emoções que as ações de terceiros provocam em mim.

Posso aceitar e devolver a outro caso infira que irá gostar, tendo consciência do que não me interessa na vida, e, não será com certeza para guardar.

Posso aceitar em plena consciência com amor, transformar e devolver o inesperado percebendo a fragilidade em que o outro se encontra ao me presentear daquela forma. Como no filme “Pay It Forward” (Favores em cadeia) fazendo um bem maior sem olhar a quem

Ou posso nem sequer aceitar, percebendo que o processo pertence ao outro, não me deixando afetar por processos alheios, agradecendo, “Obrigada, mas não obrigada.” Não aceitar o presente que se não quer, em gratidão e consciência.

Assim, quando não se está à espera o inesperado acontece…, como diz Frank Zappa, na sua música intitulada “You Are What You Is” em cuja letra se pode ler – “You are what you is; You is what you am; An’ that’s all it ’tis”….

Sê a mudança que queres ver no mundo (Mahatma Gandhi)

Ser feliz é uma escolha… e nem só de amarelo se pintam os sentimentos.

(foto MJL – 2021)

Tic-take a smile…

como sempre assino, MJL

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