Conversas sem fim – Não leves isso a peito…

Sou um conjunto imensamente complexo das circunstâncias desde que nasci até hoje, o que penso, faço, sinto que advém da forma como fui “educada”.

Há uma lenda Cherokee que fala sobre um lobo branco e um preto que moram dentro de cada um, qual ganha? A resposta habitual conhecida é “o que eu alimentar”, no entanto aprendi há pouco que a verdadeira resposta é, alimenta os dois, pois não é um jogo de forças, mas sim de equilíbrio, há virtudes em ambos, até porque um lobo com fome torna-se “mais” perigoso. O ego é muito inteligente, então porque não usá-lo a meu favor, não tenho que estar agarrada ao passado a remoer, devo compreende-lo para atuar no presente e ter um futuro equilibrado, escolhendo ser vítima ou vencedor que mostra orgulhosamente as suas cicatrizes e rugas, dignas de se enaltecer cantadas por um qualquer bardo como Assurancetourix?

(fotos MJL – 2021)

No outro dia dei comigo, ao vestir umas calças, a notar que me desequilibrava quando apoiada sobre a perna direita, havia uma diferença entre as duas e queria obter o mesmo resultado para ambas. Sei que não sou igual do lado direito/esquerdo/frente/trás, que não há duas coisas iguais, que muito menos sou igual ao que fui ontem e ao que serei amanhã. Então optei por, ao longo dos dias, observar-me em consciência e verifiquei que se o fizesse sem expectativas tornava o processo natural, o que não deixa de ser um desafio em si, usufruindo do momento em atenção plena, como observador, sem esperar qualquer resultado. Este procedimento fez com que o equilíbrio acontecesse naturalmente e assim fui-me deslumbrando com o caminho usufruindo do momento sem a pressão de ter de “ser”. Esta tomada de consciência não só me ajudou a gerir expectativas, como a não ser tão auto exigente, a ser mais gentil comigo e a perceber que não devo querer controlar, cultivando também o merecimento e o valor.

“As quatro coisas que não voltam para trás: a pedra atirada, a palavra dita, a ocasião perdida e o tempo passado.“
                                                                                                     (Autor desconhecido)

Tudo isto trouxe-me à memória a Parábola da tábua e dos pregos:

“Era uma vez um rapazinho que tinha um temperamento muito explosivo.
Um dia, o pai deu-lhe um saco cheio de pregos e uma tábua de madeira.
Disse-lhe que martelasse um prego na tábua cada vez que perdesse a paciência com alguém. No primeiro dia o rapaz pregou 37 pregos na tábua. Já nos dias seguintes, enquanto ia aprendendo a controlar a ira, o número de pregos martelados por dia foram diminuindo gradualmente.
Ele foi descobrindo que dava menos trabalho controlar a ira do que ter que ir todos os dias pregar vários pregos na tábua…
Finalmente chegou o dia em que não perdeu a paciência uma vez que fosse.
Falou com o pai sobre seu sucesso e sobre como se sentia melhor por não explodir com os outros.
O pai sugeriu-lhe que retirasse todos os pregos da tábua e que lha trouxesse.
O rapaz trouxe então a tábua, já sem os pregos, e entregou-a ao pai.
Este disse-lhe: - Estás de parabéns, filho! Mas repara nos buracos que os pregos deixaram na tábua. Nunca mais será como antes.
Quando falas enquanto estás com raiva, as tuas palavras deixam marcas como essas. Podes enfiar uma faca em alguém e depois retira-la, mas não importa quantas vezes peças desculpas, a cicatriz ainda continuará lá. Uma agressão verbal é tão violenta como uma agressão física.
Amigos são joias raras, cada vez mais raras. Eles fazem-te sorrir e encorajam-te a alcançar o sucesso. Eles emprestam-te o ombro, compartilham os teus momentos de alegria, e têm sempre o coração aberto para ti.
Por outro lado e segundo Gandhi: “Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.”
Assim convertam a vossa ira, e ajudem a mover o mundo, começando por se mudar a vocês próprios!
Peçam desculpa pelas cicatrizes que tenham deixado!”
                                                                                                          (Autor desconhecido)

Pensava que não me zangava pois nunca me sentia zangada relativamente aos outros, mas sim irritada com determinadas circunstâncias e assim compreendi que não é o que o outro faz ou diz mas sim a emoção que desperta em mim, que depois há sempre uma escolha, sou a vítima ou vivo a vida como sou, o que passei foi o que me trouxe até aqui e agora, quem se cruzou comigo teve o seu papel, não é o que os outros pensam ou dizem que me define, percebi que sou merecedora e tenho valor e tudo o que faço tem valor.

Só sei o que se passa comigo porque estou dentro da minha própria pele, não há uma verdade é apenas um conjunto de histórias que conto a mim mesma, a interpretação do facto através do que sinto, depois posso chorar ou rir.

Chorar lava a alma, rir desopila o fígado e eleva o espírito, não é por acaso que se diz de quem tem humor que tem espírito, que é uma pessoa espirituosa, tem graça, sim, não me levo a sério, sim, usufruo cada vez mais do todo com o consciente em observação ativa, em atenção, sim, rio de tudo e de todos, principalmente de mim e quando não… não me levo a sério…

Tic-take a smile…

como sempre assino, MJL

Bla

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