Conversas sem fim – Estar… para ser!

No início da conferência TED o orador diz passar o seu tempo a fotografar flores a abrir usando uma técnica chamada “time-lapse”. Como fotógrafa uso pontos de vista (POV), gosto do pequeno e da ilusão de ótica que pessoas apressadas ou atarefadas não veem ou não dão importância, assim como de perspetivas que provocam intencionalmente o observador, brincando com escalas e distâncias.

Por exemplo a imagem seguinte, é grande ou pequena, alto ou baixo-relevo?

(foto MJL – 2021)

E o tempo que é tão relativo… já senti um minuto que pareceu um dia e um dia que se foi num minuto. O projeto do orador, “Felicidade revelada” é também um POV, ora pela criança ora pelo ancião em que o tempo é também relativo.

Ser criança é ver tudo como se fosse pela primeira vez com deleite, deslumbramento, encantamento, magia, curiosidade, inocência e imaginação.

Ser anciã é também ter inocência e sabedoria, muitas vezes para apenas saber o que não quero, conhecimento do que me serve ou não, como ressoa, que espelha na vida, se ainda me influência. Sabedoria que o tempo traz, deitar as receitas fora, fazer tudo a olho e por intuição, sentir com o corpo, a alma e o espírito, com todos os sentidos terrenos, cósmicos e universais.

Entre a criança e a anciã encontro a vida (time-lapse), acontecimentos, experiências, vivências, dons e talentos, que têm de ser vividos e não repetidos, sejam pelas modas ou qualquer outra “ditadura”, ser compreendida, observada, acarinhada, levada com paciência e atenção como só os anciãos sabem ser.

Em criança a minha mãe dizia-me que eu fazia tudo ao contrário, torcer a roupa, mexer a comida ou bebida, o ombro em que levava a mala, o punho em que usava o relógio, o cruzar dos braços ou as pernas, etc.. Achava essas afirmações confusas e perguntava-lhe porquê? Quem decidiu? Aliás, perguntava os porquês para tudo. Não é à toa que tenho um “?” tatuado por cima do umbigo.

Em adolescente houve um dia que decidi pertencer à norma (estado habitual, conforme a regra estabelecida), só uma vez na vida estive na moda (valor que possui maior número de ocorrências num levantamento de frequências), era muito cansativo. Pertencer a um grupo com um determinado “dress code” apenas para ser aceite, onde afinal nem me sentia assim tão bem, até porque nem era “eu” quem lá estava mas sim alguém mascarado. Perdi-me de mim, a experiência foi um fracasso/sucesso, permitiu perceber o que não me servia, foi também onde me encontrei, pois decidi ter o poder de ser quem sou, como sou, sem olhar a quem me julgasse, sem julgar.

O facto de estar na moda não é desculpa para ser usado se não faz sentido, “Leva que te fica tão bem e está na moda”, apenas resultou quando era a mãe quem “mandava” e o que acontecia? não usava.

Já me escondi atrás da roupa e depois fui diferente só para ser diferente/irreverente, agora sou quem sou por ser e não para parecer ou agradar a outros.

Sofri, claro, algumas consequências, fui responsável pela minha integridade não agradando a gregos e a troianos, “and who cares, so what?”, há gostos para tudo e eu adoro o amarelo, Charlie Chaplin entrou num concurso de sósias de Charlie Chaplin e ficou em 3º lugar, o que apenas prova que se dependermos da opinião alheia nem servimos para ser nós mesmos.

Também nas flores que abrem vi as minhas alergias, tenho tido algumas a algo que não compreendo, assim, usando o ego com a mente consciente, chamei até mim a minha criança interior e perguntei-lhe “de que tens medo?”, como podes apenas espirrar e fungar se estás em cima/baixo ou à esquerda/direita, dentro/fora, acordada/desperta, a comer ou não?

Tenho a criança e a anciã dentro de mim, independentemente da idade biológica/mental, tenho o poder da atenção/contemplação, do consciente/inconsciente. Tenho o poder de falar com a criança interior, com a anciã, o ego lógico e explicar/perguntar sobre o que quer que seja… “de que tens medo?”, para depois orientar/guiar o corpo a regenerar-se.

É como ter uma formação, recolher informação, conhecer as bases, praticar, incorporar e viver, tomar consciência, aprofundar estando atenta, à escuta, conhecer, fazer à minha maneira, tornar meu, criar algo único, bastando para tal ser. (Filme “Soul” o novo filme da Pixar)

Dar três passos atrás, observar de fora para dentro para crescer de dentro para fora.

As coisas diferentes que faço são o que realmente sou… sem subestimar o valor do nada fazer, de simplesmente estar lá, ouvindo todas as coisas que não se consegue escutar e não me incomodar por isso, às vezes a coisa certa a fazer é nada, porque nos leva ao melhor de alguma coisa. A vida é uma jornada para ser vivenciada e não um problema para ser resolvido. E onde vamos? A lado algum… um dos meus lugares favoritos, quando vou a algum lugar e espero, um algures vem até mim.

Li há pouco um texto que dizia mais ou menos assim, não se pode agradar a toda a gente, o mundo está cheio de pessoas que, independentemente do que faça não irão gostar de mim. Também está cheio de pessoas que me amam porque sim, essas são as minhas pessoas. Não devo perder o meu coração e tempo finito a convencer as primeiras que tenho valor, pois não irão compreender, não comprarão o que “vendo”. Não devo convencê-las a juntar-se a mim no caminho, apenas perderei tempo e saúde. Não sou para elas e elas não são para mim. Educadamente digo-lhes adeus e afasto-me. Procuro partilhar o caminho com quem me reconhece e aprecia os meus “presentes”, quem eu sou. Sou quem sou, não sou para qualquer um e está tudo certo.

Todas as pessoas que se cruzaram na minha vida deixaram as suas marcas, quem quero ser hoje/agora? E que dia é? É hoje, o meu dia favorito… (Filme “Um amigo extraordinário” com Tom Hanks)

Quem decide sou eu, tenho esse poder de ser permanência da impermanência, criança ou anciã.

Hoje é o ontem de amanhã, tic-take a flower…

como sempre assino, MJL

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