Kaizen: The Japanese Method for Transforming Habits

Durante a II Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos, confrontado com a necessidade de mais e melhor equipamento militar criou o que veio a ser conhecido como a iniciativa Training Within Industry (TWI). Era muito claro que a escassez de pessoal especializado, numa altura em que era deveras necessário, estava a ter um impacto nefasto sobre o esforço de guerra. Impunha-se, pois, melhorar a indústria de guerra e, por maioria de razão, a formação que era dada aos empregados das empresas desse universo.

Um dos cursos foi desenvolvido pelo Dr. W. Edwards Deming, professor de Estatística que trabalhava numa equipa de controlo de qualidade, cujo objetivo era ajudar as empresas americanas a melhorarem as suas metodologias de produção. Em vez de optarem por egrégios processos de inovação, os gestores das empresas eram instados a procurar pequenas melhorias sempre que fossem necessárias.

A lógica por detrás desta abordagem à inovação é que esta tende a trazer mudanças abruptas, o que, frequentemente, não é entendido ou interiorizado pelos empregados, além de implicar decisões de topo, as quais tendem a deixar para trás os que trabalham na genba, um termo japonês que significa fábrica. Pelo contrário, a melhoria, na perspetiva de Deming, deveria traduzir-se por um processo sustentado, a longo prazo, que acolheria todos os empregados e não apenas quem tomava decisões.

Quando as forças americanas ocuparam o Japão – um país destroçado, com uma economia extremamente debilitada e uma população empobrecida e envelhecida – os gestores de empresa acolheram de bom grado as ideias advogadas por Deming nos EUA. E a ideia de dar pequenos passos em direção à melhoria estava de tal modo perto do que sentiam os gestores japoneses que atribuíram a esta abordagem o nome pelo qual a conhecemos hoje: kaizen.

A palavra kaizen (改善) é constituída por dois carateres: o da esquerda – 改 (kai) – significa “reforma, mudança, modificar, arranjar” e o da direita – 善 (zen) – transmite a ideia de “virtuoso, bom, bondade”. Em conjunto, estes dois logogramas significam “boa mudança”, ou “mudança para melhor”. Daqui, o conceito veio a fixar-se com o sentido de “desenvolvimento contínuo” ou “melhoria contínua” e tem sido amplamente posto em prática em muitos contextos, mas sobretudo no mundo empresarial.

Sarah Harvey viveu no Japão durante algum tempo e sentiu-se tão atraída pelo modo como a vida e o trabalho estão organizados naquele país que decidiu que tinha de dar a conhecer kaizen, de forma a ser utilizável no quotidiano das pessoas.

O livro apresenta seis áreas em que o kaizen pode ser útil àquelas pessoas que desejam modificar algo nas suas vidas: saúde, trabalho, finanças, casa, relações, hábitos e desafios.

Como acontece com todos os autores que escrevem sobre kaizen, a ênfase é colocada nos pequenos passos, nas pequenas mudanças. Cito, traduzindo, da Introdução:

“A ênfase é colocada em pequenas mudanças sucessivas em áreas do seu dia-a-dia, que se adequem facilmente ao seu trabalho, aos cuidados dos seus filhos e aos seus compromissos sociais. As mudanças devem ser tão pequenas que, inicialmente, quase não notará qualquer diferença na sua vida diária… Implica, por exemplo, acrescentar mais uma peça de fruta ou um vegetal à sua lista de compras ou meditar durante cinco minutos todas as manhãs de domingo”.

Para cada uma das áreas listadas acima, a autora vai dando conselhos, dicas, enquadramentos. Por exemplo, no capítulo dedicado ao trabalho/emprego, pode encontrar ideias que vão da decoração do espaço onde trabalha regularmente (no escritório, em casa), passando pela rentabilização das pausas que possa ir fazendo ao longo do dia, até, por exemplo, à mudança de carreira. Encontra, para cada uma das ideias, “primeiros passos kaizen” e, aqui e ali, objetivos traçados a curto e a mais longo prazo.

Lembre-se de que um pequeno passo de cada vez pode mudar a sua vida. Laozi, o sábio taoísta, refere, no capítulo 64 do Dao De Jing, que “Uma viagem de 1000 quilómetros começa com um pequeno passo”. O “ditado” aplica-se ao kaizen que nem uma luva. Como vimos, planos de inovação ambiciosos trazem sempre consigo medo, stress, animosidade. É bastante mais provável que os pequenos passos exequíveis sejam claramente entendidos, bem recebidos e generosamente postos em prática.

Para saber mais: o livro que fez “saltar” o kaizen para fora do mundo empresarial foi escrito por Robert Maurer, um psicólogo clínico americano e professor na Universidade da Califórnia, Los Angeles, que introduziu as ideias consignadas no kaizen na sua prática. Pode encontrar essas ideias em One Small Step Can Change Your Life: The Kaizen Way.

Boas leituras!

José Moura Carvalho

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